Artroplastia de Joelho: Cirurgia, Recuperação e Fisioterapia
Entenda quando a artroplastia de joelho é indicada, como funciona a recuperação e por que a fisioterapia é essencial antes e depois da cirurgia.
FISIOTERAPIA ORTOPÉDICA
Dr Bruno Vinicius Queiroz
8/30/20268 min read


Dor para caminhar, dificuldade para subir escadas, rigidez ao levantar da cadeira e noites mal dormidas são problemas comuns em pessoas com desgaste avançado do joelho. Quando esses sintomas limitam muito a vida e tratamentos como medicamentos, mudanças de atividade, controle do peso, infiltrações e fisioterapia já não oferecem alívio suficiente, o ortopedista pode considerar a artroplastia de joelho.
Também chamada de prótese do joelho, essa cirurgia costuma trazer melhora importante da dor e da mobilidade. No entanto, a prótese não trabalha sozinha: a recuperação depende de vários fatores, entre eles o estado geral de saúde, o comprometimento do paciente e uma reabilitação bem planejada.
Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação individual de profissionais de saúde.
O que é a artroplastia de joelho?
A artroplastia é uma cirurgia que substitui as superfícies danificadas da articulação por componentes artificiais, geralmente feitos de metal e plástico de alta resistência. Não se troca “o joelho inteiro”: o cirurgião remove as áreas comprometidas das extremidades dos ossos, posiciona os componentes da prótese e busca restabelecer o alinhamento e o movimento da articulação.
Existem dois tipos principais:
Artroplastia total: substitui as superfícies dos principais compartimentos do joelho.
Artroplastia parcial: substitui somente o compartimento afetado e é indicada apenas para casos selecionados.
A escolha depende da localização e da extensão do desgaste, da estabilidade dos ligamentos, do alinhamento da perna, dos sintomas e das condições de saúde de cada pessoa.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
A causa mais frequente é a artrose, doença em que a cartilagem que reveste a articulação se desgasta. Sem essa proteção, o movimento pode causar dor, inflamação, rigidez e deformidade. Outras doenças, como artrite reumatoide, sequelas de fraturas e algumas lesões, também podem levar à necessidade de uma prótese.
Em geral, a cirurgia é considerada quando existe uma combinação de fatores, como:
dor intensa ou persistente, inclusive em repouso;
dificuldade para caminhar e realizar tarefas do dia a dia;
rigidez ou deformidade do joelho;
perda importante de qualidade de vida;
falha de tratamentos não cirúrgicos bem conduzidos.
A radiografia ajuda na avaliação, mas a decisão não deve se basear apenas no exame. O impacto dos sintomas na vida da pessoa e a avaliação clínica feita pelo ortopedista são fundamentais.
O que esperar da artroplastia?
O principal objetivo é reduzir a dor e permitir que a pessoa volte a realizar atividades cotidianas com mais segurança e independência. Também pode haver melhora do movimento e do alinhamento do joelho.
É importante ter expectativas realistas. A recuperação é gradual, pode levar vários meses e varia de pessoa para pessoa. A prótese busca proporcionar um joelho funcional, mas não transforma a articulação em um joelho “novo” ou idêntico ao natural. Atividades de baixo impacto, como caminhar, pedalar e nadar, costumam ser mais compatíveis com a prótese; o retorno a qualquer exercício deve ser discutido com a equipe.
Como toda cirurgia de grande porte, a artroplastia apresenta riscos. Entre eles estão infecção, formação de coágulos, sangramento, rigidez, dor persistente e, mais raramente, lesões de nervos ou vasos. A equipe avalia os riscos individualmente e adota medidas de prevenção.
Quanto tempo dura uma prótese de joelho?
Os avanços nos materiais e nas técnicas cirúrgicas aumentaram significativamente a durabilidade das próteses modernas. Atualmente, estima-se que mais de 90% das próteses permaneçam em funcionamento após 15 anos, enquanto aproximadamente 80 a 85% continuam funcionando após 20 a 25 anos, dependendo das características do paciente, do implante e dos cuidados pós-operatórios.
Isso significa que não existe um prazo fixo para a troca da prótese. A substituição do implante (cirurgia de revisão) somente é indicada quando há evidências de falha do componente ou complicações clínicas.
As principais causas para uma cirurgia de revisão incluem:
Desgaste do polietileno;
Afrouxamento (soltura) dos componentes;
Infecção da prótese;
Instabilidade ligamentar;
Fraturas ao redor da prótese;
Dor persistente associada à falha do implante.
Quando não há complicações, muitos pacientes permanecem com a mesma prótese por mais de duas décadas, mantendo boa qualidade de vida (EVANS et al., 2019).
Quais são os tipos de próteses mais utilizados no Brasil?
No Brasil, a prótese total cimentada é a mais utilizada. Nesse modelo, os componentes metálicos são fixados ao osso com cimento ósseo (polimetilmetacrilato), proporcionando excelente estabilidade inicial e excelentes resultados clínicos de longo prazo (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, 2024).
Uma prótese total de joelho normalmente é composta por:
Componente femoral metálico, geralmente fabricado em liga de cobalto-cromo;
Componente tibial metálico;
Inserto de polietileno de alta densidade, responsável pelo deslizamento da articulação;
Componente patelar, utilizado apenas quando há indicação para substituição da superfície da patela.
Entre os principais modelos utilizados estão:
CR (Cruciate Retaining) – preserva o ligamento cruzado posterior;
PS (Posterior Stabilized) – substitui a função do ligamento cruzado posterior através de um mecanismo estabilizador;
Próteses não cimentadas, indicadas em situações específicas, principalmente em pacientes mais jovens e com boa qualidade óssea;
Próteses semiconstritas ou constritas, utilizadas em casos complexos, revisões cirúrgicas ou instabilidades importantes.
A escolha do modelo depende da idade, qualidade óssea, alinhamento do membro, estabilidade ligamentar, nível de atividade física e experiência do cirurgião.
Por que fazer fisioterapia antes da cirurgia?
A fisioterapia pré-operatória, também chamada de pré-habilitação, prepara o corpo e o paciente para o procedimento e para as primeiras semanas de recuperação.
Conforme a avaliação individual, o programa pode trabalhar:
fortalecimento dos músculos da coxa, quadril e tronco;
manutenção ou melhora do movimento do joelho;
condicionamento físico dentro do que for seguro e tolerável;
treino para sentar, levantar, caminhar e usar escadas;
orientação sobre andador, muletas ou bengala;
explicação dos exercícios e cuidados esperados após a cirurgia;
preparação da casa para reduzir obstáculos e o risco de quedas.
Chegar à cirurgia com mais força, melhor capacidade funcional e sabendo como será a reabilitação pode facilitar a fase inicial do pós-operatório. Revisões científicas apontam benefícios principalmente na força e na função antes da operação e nos primeiros meses depois dela. Os resultados a longo prazo, porém, ainda são variáveis. Por isso, a pré-habilitação deve ser vista como preparação — e não como garantia de recuperação rápida.
Os exercícios precisam ser escolhidos pelo fisioterapeuta e ajustados à dor, ao grau de desgaste e às demais condições de saúde. Repetir uma série genérica encontrada na internet pode agravar sintomas ou não atender às necessidades daquele paciente.
A importância da fisioterapia depois da cirurgia
Depois da artroplastia, a fisioterapia ajuda a transformar o resultado cirúrgico em movimento, força e autonomia. Em pacientes clinicamente estáveis e sem complicações, a mobilização costuma começar cedo, frequentemente ainda no hospital e dentro das primeiras 24 horas, sempre conforme a orientação da equipe.
No início, os objetivos costumam incluir:
levantar da cama e caminhar com segurança;
prevenir perda excessiva de movimento e de força;
controlar dor e inchaço com as medidas orientadas;
recuperar a ativação do quadríceps, músculo importante para sustentar o joelho;
movimentar o tornozelo e estimular a circulação;
aprender a usar corretamente o apoio recomendado;
treinar tarefas como sentar, levantar e entrar no carro.
Com a evolução, o tratamento passa a enfatizar ganho de amplitude de movimento, fortalecimento progressivo, equilíbrio, correção da marcha, treino de escadas e retorno às atividades diárias. O fisioterapeuta acompanha a resposta do joelho e ajusta a carga: fazer pouco pode atrasar a recuperação, mas exagerar pode aumentar dor e inchaço.
A orientação supervisionada é especialmente importante para identificar limitações, corrigir a execução dos exercícios e definir quando é seguro avançar. O programa feito em casa costuma complementar as sessões e deve seguir a prescrição da equipe.
Como costuma ser a recuperação?
Muitas pessoas começam a caminhar com andador ou muletas logo no início e recebem alta hospitalar em poucos dias, se a ferida estiver bem, a dor estiver controlada e for possível se movimentar com segurança. Isso não significa que a recuperação terminou.
Nas semanas seguintes, é comum haver inchaço, sensibilidade e oscilação da dor. A melhora acontece aos poucos. O tempo para abandonar o apoio, dirigir, trabalhar e retomar exercícios varia conforme o tipo de cirurgia, a força, o equilíbrio, a cicatrização, as exigências da rotina e a avaliação médica e fisioterapêutica.
Comparar a própria evolução com a de outra pessoa costuma gerar ansiedade. O mais importante é acompanhar metas individualizadas, como caminhar com mais segurança, recuperar força e movimento e realizar atividades com menos limitação.
Sinais de alerta no pós-operatório
Algum desconforto e inchaço podem fazer parte da recuperação, mas é necessário procurar orientação médica rapidamente diante de sinais como:
febre ou calafrios;
saída de secreção pela ferida;
vermelhidão, calor, dor ou inchaço que pioram em vez de melhorar;
dor ou aumento súbito do volume da panturrilha;
falta de ar ou dor no peito;
perda súbita de força ou sensibilidade na perna.
Falta de ar e dor no peito podem indicar uma emergência e exigem atendimento imediato.
Cirurgia e reabilitação fazem parte do mesmo tratamento
A artroplastia de joelho pode devolver qualidade de vida a pessoas com dor e limitação importantes, mas o resultado não depende apenas do procedimento. A preparação antes da operação, a prevenção de complicações e a fisioterapia progressiva depois dela fazem parte do mesmo processo.
Cada caso precisa de um plano individual. Converse com o ortopedista e o fisioterapeuta para entender a indicação, os riscos, as metas e o ritmo mais seguro para a sua recuperação.
A Reabitta oferece fisioterapia domiciliar ortopédica em Mauá e no Grande ABC. Para agendar uma avaliação e receber um plano de tratamento adaptado à sua rotina, entre em contato pelo WhatsApp: (11) 94822-4454.
Revisão técnica: Dr. Bruno V. Queiroz, fisioterapeuta com atuação em fisioterapia ortopédica, neurofuncional e atendimento domiciliar.
Referências
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EVANS, J. T. et al. How long does a knee replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports with more than 15 years of follow-up. The Lancet, v. 393, n. 10172, p. 655–663, 2019.
POZZI, F.; WHITE, D. K.; ZENI, J. A. Physical exercise after knee arthroplasty: a systematic review of controlled trials. European Journal of Physical and Rehabilitation Medicine, v. 49, n. 6, p. 877–892, 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA (SBOT). Diretrizes sobre Artroplastia Total do Joelho. São Paulo: SBOT, 2024.
SIQUEIRA, M. B. P. et al. Current concepts in total knee arthroplasty. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 57, supl. 2, p. 1–11, 2022.
Última revisão: agosto de 2026.


