Artroplastia de quadril: o que é, quando é indicada e como é a recuperação

Entenda quando a artroplastia de quadril pode ser indicada, como a cirurgia é realizada, os cuidados na recuperação e os principais sinais de alerta.

Dr. Bruno V. Queiroz

9/12/20267 min read

A artroplastia de quadril — também chamada de prótese ou substituição do quadril — é uma cirurgia realizada para aliviar a dor e recuperar a mobilidade quando a articulação está muito desgastada ou danificada. Técnicas modernas e programas de reabilitação permitem que muitas pessoas retomem atividades cotidianas com mais conforto e independência.

Neste artigo, você vai entender quando a cirurgia pode ser indicada, como ela é feita, quanto pode custar no Brasil, quais são as fases do pós-operatório e que movimentos podem exigir cuidado para reduzir o risco de luxação.

Como funciona a articulação do quadril?

O quadril é uma articulação do tipo “bola e encaixe”. A cabeça do fêmur funciona como a bola, enquanto o acetábulo, localizado na bacia, forma o encaixe. A cartilagem recobre essas superfícies e permite movimentos com pouco atrito.

Quando a cartilagem e o osso sofrem desgaste importante, movimentar-se pode se tornar doloroso. Caminhar, calçar sapatos, subir escadas, levantar de uma cadeira e até dormir podem ficar difíceis.

O que é a artroplastia de quadril?

Na artroplastia, o cirurgião ortopedista remove as partes comprometidas da articulação e as substitui por componentes artificiais. Eles podem ser feitos de metal, cerâmica e polietileno, em combinações escolhidas conforme a qualidade óssea, a idade, a anatomia e as necessidades do paciente.

A fixação pode ser cimentada, não cimentada ou híbrida. Na não cimentada, o osso cresce ao redor de uma superfície porosa da prótese; na cimentada, um cimento ósseo especial ajuda a fixar os componentes. Não existe uma opção única que seja melhor para todas as pessoas.

Quando a cirurgia pode ser indicada?

A indicação é individualizada. Em geral, a artroplastia é considerada quando há dor persistente e limitação importante das atividades, apesar de medidas não cirúrgicas adequadas. Entre as causas mais comuns estão:

  • artrose do quadril, também chamada de coxartrose;

  • artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias;

  • osteonecrose da cabeça do fêmur;

  • algumas fraturas do quadril;

  • sequelas de doenças ou deformidades da articulação.

A decisão não depende apenas da radiografia. O profissional considera os sintomas, o exame físico, o impacto na qualidade de vida, o estado geral de saúde e a resposta aos tratamentos já realizados.

Artroplastia total e parcial: qual é a diferença?

Na artroplastia total, a cabeça do fêmur e a superfície do acetábulo são substituídas. Na artroplastia parcial, apenas a parte femoral é trocada, opção utilizada principalmente em determinadas fraturas. O tipo mais adequado depende do diagnóstico e da avaliação do cirurgião.

Quanto custa uma cirurgia de prótese de quadril?

Não existe um preço único nacional. Em estimativas publicadas por especialistas brasileiros, uma artroplastia total de quadril particular costuma aparecer na faixa aproximada de R$ 40 mil a R$ 90 mil, podendo ultrapassar esse valor em hospitais de maior custo ou em casos mais complexos. Essa faixa é apenas uma referência e não substitui um orçamento individualizado.

O valor final pode incluir ou variar conforme:

  • modelo, material e fabricante da prótese;

  • hospital, centro cirúrgico e acomodação;

  • honorários do cirurgião, auxiliares e anestesista;

  • exames, medicamentos e tempo de internação;

  • necessidade de cuidados intensivos ou materiais adicionais;

  • fisioterapia e acompanhamento após a alta;

  • se é uma cirurgia primária ou uma revisão de prótese.

Peça um orçamento por escrito e confirme o que está incluído. Pelo SUS, o procedimento pode ser realizado sem cobrança direta ao paciente quando há indicação e encaminhamento dentro da rede. Nos planos regulamentados pela Lei nº 9.656/1998, a ANS informa que próteses implantáveis ligadas ao ato cirúrgico têm cobertura obrigatória; ainda assim, é necessário verificar autorização, carência, rede credenciada e condições do contrato.

Como se preparar?

A preparação começa antes da internação. A equipe pode solicitar exames, revisar doenças preexistentes e orientar ajustes de medicamentos. Nunca suspenda anticoagulantes ou outros remédios por conta própria.

  • controlar diabetes, pressão arterial e outras condições clínicas;

  • interromper o tabagismo, quando possível;

  • fortalecer a musculatura conforme orientação profissional;

  • organizar transporte e apoio nos primeiros dias;

  • retirar tapetes soltos e obstáculos para reduzir o risco de quedas;

  • deixar objetos de uso frequente em locais de fácil alcance;

  • se recomendado, adaptar a altura de cadeira, cama e vaso sanitário.

O que acontece no dia da cirurgia?

O procedimento pode ser realizado com anestesia geral ou regional, frequentemente associada à sedação. O cirurgião acessa a articulação, remove os tecidos danificados, posiciona os componentes e testa estabilidade e movimento. Algumas pessoas recebem alta no mesmo dia; outras permanecem de um a três dias ou mais, conforme o quadro clínico e o protocolo do serviço.

Fases do pós-operatório

Os prazos abaixo são aproximados. A progressão depende da técnica cirúrgica, da qualidade óssea, das doenças associadas, da força prévia e das orientações da equipe.

Primeiras 24 a 48 horas

O foco é controlar dor e náusea, prevenir trombose, observar a ferida e iniciar a mobilização segura. Muitas pessoas ficam em pé e caminham com andador ou muletas no mesmo dia ou no dia seguinte. A equipe ensina como levantar, sentar, usar o banheiro e entrar ou sair da cama.

Da primeira à segunda semana

Em casa, o objetivo é proteger a ferida, controlar o inchaço, fazer os exercícios prescritos e realizar caminhadas curtas e frequentes. O auxílio para andar deve ser mantido até que a marcha esteja segura e a equipe autorize a progressão. Febre persistente, secreção, vermelhidão crescente ou dor desproporcional precisam ser comunicadas.

Da terceira à sexta semana

Aumentam gradualmente a distância das caminhadas, a autonomia nas atividades e os exercícios de força e equilíbrio. Muitas pessoas retornam a boa parte das atividades diárias por volta de seis semanas. Dirigir e voltar ao trabalho dependem da perna operada, do uso de medicamentos, dos reflexos e das exigências profissionais.

Da sétima à décima segunda semana

O treinamento costuma avançar para força, resistência, equilíbrio, escadas e atividades funcionais. Atividades de baixo impacto podem ser retomadas após liberação. Trabalho fisicamente exigente e esportes requerem avaliação específica.

De três meses a um ano

Força, confiança e resistência continuam melhorando. A maioria das pessoas já realiza grande parte das atividades cotidianas aos três meses, mas a recuperação completa pode continuar por seis a doze meses. Corrida de longa distância, saltos e outros impactos repetitivos podem aumentar o desgaste do implante e nem sempre são recomendados.

Movimentos que podem favorecer a luxação da prótese

A luxação ocorre quando a cabeça da prótese sai do componente acetabular. O risco é maior no início, enquanto músculos e tecidos cicatrizam. Entretanto, as restrições variam conforme a via cirúrgica, a estabilidade obtida, o tipo de implante e o perfil do paciente. Algumas pessoas recebem poucas restrições. Siga sempre o protocolo do seu cirurgião e fisioterapeuta.

Quando as precauções tradicionais são indicadas, especialmente após determinadas abordagens, costuma-se evitar durante cerca de seis semanas — ou pelo período definido pela equipe:

  • flexionar o quadril além de 90 graus, como sentar em sofá muito baixo, aproximar o joelho do peito ou inclinar-se para calçar sapatos;

  • cruzar as pernas ou os tornozelos e levar a perna operada além da linha média do corpo;

  • girar ou pivotar sobre a perna operada; para mudar de direção, dê passos pequenos e mova o corpo inteiro;

  • combinar flexão, adução e rotação, por exemplo curvar-se e girar para alcançar o chão;

  • forçar posições extremas, movimentos bruscos ou amplitudes que não tenham sido liberadas.

Para facilitar, prefira cadeiras firmes e suficientemente altas, evite pegar objetos no chão, use utensílios de cabo longo se indicados e coloque um travesseiro entre as pernas para dormir de lado somente quando a equipe permitir. Protocolos após a via anterior podem ser diferentes e, em alguns serviços, não incluem as precauções tradicionais.

Como reconhecer uma possível luxação?

Dor súbita e intensa no quadril, incapacidade de apoiar ou mover a perna, sensação de deslocamento e mudança aparente na posição ou no comprimento do membro exigem avaliação de urgência. Não tente colocar a articulação no lugar.

Quais são os possíveis riscos?

Como toda cirurgia, a artroplastia envolve riscos. Entre eles estão infecção, trombose, sangramento, luxação da prótese, diferença no comprimento das pernas, fratura ao redor do implante, lesão de nervos ou vasos e desgaste ou soltura dos componentes ao longo do tempo. A equipe adota medidas preventivas e acompanha o paciente para reduzir essas possibilidades.

Quando procurar ajuda rapidamente?

Após a cirurgia, entre em contato com a equipe diante de febre persistente, vermelhidão crescente, secreção na ferida, piora importante da dor, dificuldade inesperada para apoiar a perna ou dor e inchaço súbitos na panturrilha. Falta de ar, dor no peito ou sinais de luxação exigem atendimento de emergência.

Perguntas frequentes

A prótese dura para sempre?

As próteses atuais são duráveis, mas podem sofrer desgaste ou soltura. A longevidade depende do implante, da técnica, do peso corporal, do nível de atividade e de outros fatores. Consultas de acompanhamento ajudam a monitorar o quadril.

É possível voltar a fazer exercícios?

Na maioria dos casos, atividades de baixo impacto são incentivadas após liberação profissional. Exercícios de alto impacto podem aumentar o desgaste e nem sempre são recomendados.

Idade avançada impede a cirurgia?

A idade isoladamente não decide a indicação. O estado clínico, a autonomia, os objetivos e a relação entre benefícios e riscos são avaliados em conjunto.

Em resumo

A artroplastia de quadril pode reduzir a dor e melhorar a mobilidade quando a articulação está gravemente comprometida. O melhor resultado depende de indicação correta, preparação cuidadosa, cirurgia bem planejada e participação ativa na reabilitação. Custos, prazos e restrições devem ser confirmados individualmente.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exame físico ou orientação individualizada de profissionais de saúde.

Fontes consultadas

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