Descontos especiais para agendamentos hoje

Benefícios da Terapia com Plataforma Vibratória de Corpo Inteiro (WBVT) na Reabilitação de Pacientes Pós-Acidente Vascular Cerebral: Uma Revisão da Literatura

Entenda os efeitos da plataforma vibratória em pacientes com Pós-AVC

NEUROREABILITAÇÃO

Bruno Vinicius Queiroz

1/2/202614 min read

Benefícios  da Terapia com Plataforma Vibratória de Corpo Inteiro (WBVT) na Reabilitação Pós-AVC: Uma Revisão Abrangente dos Impactos na Espasticidade, Equilíbrio e Função Motora

Autor: Bruno Vinicius Queiroz

RESUMO

Objetivo: Esta revisão analisou criticamente os benefícios da terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (WBVT) como intervenção complementar na reabilitação de indivíduos pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC), focando em desfechos como espasticidade, equilíbrio, função motora e marcha.

Métodos: Adotando as diretrizes PRISMA, uma busca sistemática exaustiva foi conduzida entre 2 e 4 de janeiro de 2026 nas plataformas PubMed/MEDLINE, Cochrane Library e Google Scholar. As estratégias de busca empregaram uma combinação robusta de termos MeSH e palavras-chave livres, com operadores booleanos, para maximizar a abrangência e precisão. A ferramenta de inteligência artificial 'Reabittame' foi utilizada para a triagem inicial e detecção de literatura suplementar. A seleção e extração de dados foram predominantemente realizadas por um revisor, com um segundo revisor validando uma amostra dos artigos para controle de vieses. A avaliação do risco de viés foi feita com as ferramentas Cochrane 'RoB 2' para ECRs e 'ROBIS' para revisões sistemáticas.

Resultados: A WBVT revelou-se uma intervenção promissora e segura, capaz de mitigar a espasticidade e aprimorar o equilíbrio e a função motora em pacientes pós-AVC, especialmente quando integrada a programas de reabilitação convencionais. Embora melhorias na marcha também tenham sido apontadas, a evidência para este desfecho mostrou-se menos consistente. A eficácia da WBVT parece intrinsecamente ligada à intensidade e duração de sua aplicação.

Conclusão: Em síntese, a WBVT se estabelece como uma modalidade complementar segura e eficaz para a reabilitação pós-AVC, colaborando para a redução transitória da espasticidade e para a otimização do equilíbrio e da função motora. Contudo, a padronização de protocolos de tratamento e a investigação de seus efeitos a longo prazo demandam investigações futuras.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Plataforma Vibratória, Reabilitação, Espasticidade, Equilíbrio, WBVT.

1. INTRODUÇÃO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) define-se como uma síndrome neurológica aguda, precipitada por disfunções vasculares cerebrais. Sua etiologia abrange o AVC isquêmico, resultante da oclusão do fluxo sanguíneo por trombos, êmbolos ou placas ateroscleróticas, e o AVC hemorrágico, ocasionado pela ruptura de vasos e subsequente extravasamento sanguíneo, manifestando-se como hemorragias intraparenquimatosas ou subaracnoideas (BRASIL, 2023). Globalmente, o AVC figura entre as principais causas de mortalidade, e projeta-se como a principal causa de óbito no Brasil para 2024, com um registro de 85.427 casos, segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC, 2025). A incidência dessa condição eleva-se notavelmente com o avançar da idade, com o risco duplicando a cada década após os 55 anos. Este cenário configura um desafio substancial para a saúde pública, amplificado pelo envelhecimento demográfico e pela prevalência de fatores de risco como hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e obesidade (MENDES, 2022).

Os sobreviventes de AVC frequentemente enfrentam sequelas neurológicas permanentes, cuja extensão e severidade são ditadas pela localização e magnitude da lesão cerebral. Entre as manifestações comuns estão hemiparesia, espasticidade, disartria, disfagia, déficits de equilíbrio e comprometimento da marcha (JALES et al., 2024). Essas limitações comprometem drasticamente a autonomia funcional e a qualidade de vida, demandando abordagens reabilitadoras intensivas e interdisciplinares. A reabilitação pós-AVC, convencionalmente estruturada em cinesioterapia, treinamento de marcha, terapia ocupacional e manejo da espasticidade, é constantemente complementada por novas estratégias que visam otimizar os resultados e acelerar a recuperação funcional.

Neste panorama, a terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (Whole-Body Vibration Therapy - WBVT) destaca-se como uma promissora modalidade terapêutica complementar. A WBVT baseia-se na exposição do corpo a vibrações mecânicas de baixa amplitude e alta frequência, orquestradas por uma plataforma especializada. Essas vibrações são postuladas por induzir respostas neuromusculares significativas, mediadas pela ativação de fusos musculares e reflexos vibratórios, culminando em potenciais ganhos de força muscular, aprimoramento do equilíbrio, atenuação da espasticidade e otimização do controle motor. Embora sua origem esteja ligada ao condicionamento físico e à abordagem de condições osteomusculares, o interesse na aplicação da WBVT em contextos neurológicos, como na reabilitação pós-AVC, tem crescido exponencialmente na pesquisa científica.

A ação da WBVT se manifesta por meio de uma neuromodulação complexa, englobando diversos níveis do sistema nervoso. No âmbito periférico, a terapia ativa receptores sensoriais como os fusos neuromusculares, órgãos tendinosos de Golgi (OTG) e receptores cutâneos, cujas aferências ascendem ao sistema nervoso central, alcançando, inclusive, as redes corticais (Alashram et al., 2021). No nível medular, essa cascata aferente culmina no Reflexo Vibratório Tônico (RVT), provocando a estimulação do neurônio motor inferior e, consequentemente, a contração muscular. Adicionalmente, a WBVT modula a inibição recíproca e pré-sináptica dos motoneurônios antagonistas, bem como a atividade de interneurônios, o que contribui para a atenuação da espasticidade (Huang et al., 2020). Ascendendo ao nível supramedular, estruturas como o cerebelo, tálamo e córtex cerebral processam as informações proprioceptivas e somatossensoriais. A estimulação contínua pela WBVT pode, assim, deflagrar neuroplasticidade cortical e reorganização neural, fomentando a formação de sinapses, elevando a excitabilidade do córtex motor e aprimorando a conectividade funcional – mecanismos vitais para pacientes pós-AVC, frequentemente acometidos por disfunções na excitabilidade neural e interrupção das vias motoras (Liebermann et al., 2016).

Dada a promissora, mas ainda em desenvolvimento, aplicação da WBVT, esta revisão sistemática da literatura propõe-se a compilar e sintetizar as evidências mais relevantes sobre seus benefícios na reabilitação de pacientes com sequelas pós-AVC. Ao explorar desfechos como espasticidade, equilíbrio, função motora e marcha, este trabalho busca oferecer uma análise aprofundada do papel da WBVT como intervenção complementar na prática fisioterapêutica, delineando também direções para futuras investigações científicas.

2. MÉTODOS

A presente revisão bibliográfica foi delineada com o propósito de compilar e sintetizar as evidências mais contemporâneas acerca da eficácia e dos intrínsecos mecanismos neurofisiológicos da terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (WBVT) no contexto da reabilitação de adultos que apresentam sequelas decorrentes de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

2.1. Estratégia de Busca

A condução desta revisão aderiu estritamente às diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), visando assegurar total transparência e replicabilidade metodológica. Uma busca sistemática e exaustiva foi empreendida no período de 2 a 4 de janeiro de 2026, abrangendo as seguintes bases de dados eletrônicas primárias: PubMed/MEDLINE, Cochrane Library e Google Scholar.

As estratégias de busca foram elaboradas com rigor, combinando termos MeSH (Medical Subject Headings) e palavras-chave livres, e fazendo uso estratégico de operadores booleanos ("AND", "OR") para maximizar tanto a sensibilidade quanto a especificidade da pesquisa. A string de busca exata empregada para o PubMed/MEDLINE, por exemplo, foi a seguinte:

'''("whole-body vibration"[MeSH] OR "whole body vibration"[tiab] OR "WBVT"[tiab] OR "plataforma vibratória"[tiab]) AND ("stroke"[MeSH] OR "cerebrovascular accident"[tiab] OR "AVC"[tiab]) AND ("rehabilitation"[MeSH] OR "reabilitação"[tiab]) AND ("systematic review"[Publication Type] OR "meta-analysis"[Publication Type] OR "randomized controlled trial"[Publication Type] OR "ensaio clínico randomizado"[tiab])'''

. Para cada base de dados, estratégias de busca customizadas foram desenvolvidas e aplicadas, respeitando suas particularidades de indexação.

Em uma abordagem complementar, e para aprimorar a detecção de literatura pertinente que poderia escapar às buscas convencionais, recorreu-se à ferramenta de inteligência artificial "Reabittame", desenvolvida pelo autor. Esta tecnologia serviu como um recurso auxiliar valioso na triagem preliminar de títulos e resumos, bem como na identificação de termos de busca e artigos potencialmente significativos, operando sempre sob estrita supervisão humana e em conformidade com os preceitos éticos da pesquisa. Subsequentemente à busca inicial, as listas de referências dos estudos selecionados foram sistematicamente rastreadas manualmente (snowballing) para identificar quaisquer publicações adicionais relevantes. A gestão dos resultados das buscas foi realizada por meio de um software de gerenciamento de referências, facilitando a identificação e eliminação de duplicatas.

Informações estatísticas e contextuais referentes ao AVC no Brasil foram obtidas a partir de fontes primárias, incluindo websites governamentais (e.g., BRASIL, 2023) e de organizações não governamentais (e.g., SBAVC, 2025; SBGG, 2024).

2.2. Critérios de Inclusão e Exclusão

Os estudos considerados para esta revisão foram aqueles publicados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de dezembro de 2026. Os critérios de inclusão pré-estabelecidos foram os seguintes:

  • Tipo de Estudo: Foram aceitas revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados (ECRs). Adicionalmente, dados de bases governamentais e não governamentais foram incorporados para fornecer contexto e estatísticas.

  • População: Indivíduos com 18 anos ou mais, diagnosticados com Acidente Vascular Cerebral e que apresentassem sequelas motoras ou funcionais.

  • Intervenção: Estudos que empregaram a terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (WBVT) como intervenção principal ou complementar.

  • Desfechos: Artigos que abordavam resultados pertinentes à espasticidade, equilíbrio, função motora, marcha e força muscular.

  • Idioma: Publicações em português ou inglês.

Em contrapartida, foram excluídos desta análise: estudos em animais, pesquisas in vitro, relatos de caso de natureza isolada, opiniões de especialistas, editoriais, cartas ao editor e artigos de conferência que não disponibilizavam o texto completo.

2.3. Seleção e Extração de Dados

A fase inicial de seleção dos artigos foi conduzida por um revisor (BVQ), que procedeu à análise dos títulos e resumos derivados dos resultados da busca. Com o intuito de mitigar o viés de seleção, uma amostra aleatória correspondente a 20% dos títulos e resumos foi independentemente avaliada por um segundo revisor. Eventuais discordâncias foram resolvidas por meio de consenso entre os avaliadores ou, em situações de impasses, pela intervenção de um terceiro especialista. Os estudos considerados com potencial elegibilidade tiveram seus textos completos obtidos para uma avaliação pormenorizada, em conformidade com os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.

Concluída a seleção final dos estudos, o risco de viés dos ensaios clínicos randomizados (ECRs) incluídos foi minuciosamente avaliado com o emprego da ferramenta Cochrane 'Risk of Bias 2 (RoB 2)'. Para as revisões sistemáticas, utilizou-se a ferramenta 'Risk of Bias in Systematic Reviews (ROBIS)'. Esta avaliação abrangia domínios cruciais como o processo de randomização, desvios em relação às intervenções planejadas, ausência de dados de desfecho, rigor na mensuração de desfechos e a seletividade na reportagem de resultados. Quaisquer fontes de viés potenciais identificadas neste processo foram abordadas em profundidade na seção de Limitações.

3. RESULTADOS

O corpo de evidências acerca da WBVT tem sido enriquecido por estudos notáveis, os quais consistentemente demonstram seus benefícios na reabilitação pós-AVC.

Zhao et al. (2023), em uma revisão sistemática e meta-análise que englobou 11 ensaios clínicos com 475 pacientes, demonstraram que a vibração, empregada a uma frequência inferior a 20 Hz por 10 minutos, mostrou-se eficaz e segura na atenuação da espasticidade em membros superiores e inferiores de pacientes nas fases aguda e subaguda do AVC. Este efeito foi notável durante o período de aplicação. Kim et al. (2025), em uma meta-análise que abrangeu 13 ensaios clínicos, quantificaram a eficácia da WBVT na atenuação da espasticidade pós-AVC, revelando um efeito moderado, mas clinicamente relevante, na redução do tônus muscular (g de Hedges = −0,50). Análises de subgrupos por Kim et al. (2025) elucidaram que os efeitos mais marcantes foram observados quando a intervenção foi administrada desde a fase subaguda tardia até o início da fase crônica (6 a 12 meses pós-AVC). Entre as variáveis examinadas, o tempo transcorrido desde o AVC, a frequência (<20 Hz) e a amplitude (<0,5 mm) da vibração exerceram uma influência significativa nos resultados. Em contraste, a postura, o número total de sessões e o tipo de vibração (focal versus corpo inteiro) não exibiram efeitos significativos, sugerindo que a efetividade terapêutica da vibração está mais atrelada à intensidade e ao momento de sua aplicação do que à duração global ou ao modo de administração.

Relativamente ao equilíbrio e à função motora, os resultados também se apresentam promissores. Uma vasta revisão sistemática e meta-análise, englobando 991 pacientes em 25 estudos (Liu et al., 2024), não apenas reconfirmou a melhora na espasticidade, mas também evidenciou avanços notáveis no equilíbrio e na função motora. A otimização do equilíbrio, em particular, é parcialmente imputada à ativação dos músculos do tronco e dos membros inferiores, elementos fundamentais para o controle postural. Guo et al. (2022) igualmente verificaram que a WBVT constitui uma alternativa plausível para aprimorar o equilíbrio em indivíduos acometidos por AVC.

Ao passo que investigações prévias, como a de Rogan et al. (2018), que examinaram os efeitos de sessões isoladas ou múltiplas de WBVT, apontaram evidências limitadas para seu suporte clínico na reabilitação da marcha, pesquisas mais recentes vêm desvelando resultados encorajadores. A terapia vibratória aparenta catalisar melhorias na velocidade da marcha, no comprimento do passo e na simetria, possivelmente por meio do incremento da força muscular dos membros inferiores e do equilíbrio. Outra revisão, ao esquadrinhar os efeitos de longo prazo da WBVT na marcha em distintas populações, reiterou a imperatividade de mais ECRs de elevada qualidade, sobretudo direcionados a pacientes com AVC (Rogan et al., 2019).

A segurança da WBVT constitui um pilar essencial. Os estudos analisados consistentemente atestam que a WBVT configura-se como uma modalidade terapêutica segura, com a incidência de efeitos adversos revelando-se rara, geralmente de natureza leve e transitória, como vertigem ou discreto desconforto muscular. As contraindicações observadas são consonantes com as de outras formas de exercício, abrangendo condições como instabilidade cardiovascular, trombose venosa profunda (TVP), hérnia aguda e gestação (Liu et al., 2024).

4. DISCUSSÃO

Os resultados desta revisão alinham-se coerentemente com o corpo crescente de evidências que estabelece a terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (WBVT) como uma intervenção complementar de elevado valor na reabilitação pós-AVC. A intrínseca capacidade da WBVT de modular o tônus muscular e otimizar o controle postural, conforme corroborado por Zhao et al. (2023) e Liu et al. (2024), propicia um mecanismo fisiológico consistente para as melhorias verificadas na espasticidade, equilíbrio e função motora. A ativação dos fusos musculares e a consequente facilitação neuromuscular são processos que podem impulsionar o fortalecimento muscular e o refinamento da propriocepção, elementos cardeais para a recuperação funcional pós-AVC.

Ao passo que investigações prévias, como a de Rogan et al. (2018), ainda exploravam a solidez das evidências, meta-análises mais recentes (Zhao et al., 2023; Kim et al., 2025) trouxeram à luz um patamar de evidência de qualidade superior, solidificando a aplicabilidade da WBVT para os desfechos em questão. A atenuação da espasticidade pela WBVT pode, por sua vez, promover a facilitação do movimento ativo, ampliar a amplitude de movimento e reduzir a probabilidade de atrofias e deformidades, culminando em um impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes. Aprimorar o equilíbrio é imperativo para a prevenção de quedas, uma complicação comum na população idosa, particularmente entre indivíduos pós-AVC, e um pilar para o resgate da autonomia na marcha e nas atividades cotidianas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG, 2024), projeta-se que 40% dos idosos com 80 anos ou mais experimentem quedas anualmente, sublinhando a importância da WBVT como um instrumento adjuvante valioso para o fisioterapeuta.

4.1. Limitações e Implicações para Pesquisas Futuras

Não obstante os benefícios elucidados, é crucial discernir as limitações inerentes aos estudos disponíveis. Embora a presente revisão reforce consistentemente os efeitos positivos da WBVT na redução da espasticidade e na otimização do equilíbrio e da função motora em pacientes pós-AVC no curto e médio prazo, persiste uma lacuna conspícua de evidências relativas aos desfechos a longo prazo. A persistência desses ganhos funcionais após a cessação da terapia ou em fases de seguimento prolongadas permanece insuficientemente documentada na literatura. Conforme salientado por Rogan et al. (2019), apesar da existência de algumas análises sobre os efeitos duradouros da vibração em distintas populações, é inegável a urgência de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade, especificamente direcionados a pacientes com AVC, que integrem períodos de acompanhamento mais extensos. A carência de dados robustos sobre a sustentabilidade dos benefícios obsta a formulação de recomendações clínicas inequívocas para programas de reabilitação a longo prazo fundamentados na WBVT, tornando mandatório que futuras investigações priorizem a avaliação da durabilidade desses efeitos.

Outrossim, a heterogeneidade metodológica entre os estudos constitui uma limitação expressiva. Torna-se imperiosa a padronização dos protocolos de intervenção, abrangendo a definição precisa de frequência, amplitude, duração e número de sessões de WBVT. A predominância de estudos com amostras de tamanho reduzido restringe o poder estatístico e, consequentemente, a generalização dos achados. Pesquisas futuras deveriam, portanto, empregar amostras mais robustas e aderir a um rigor metodológico superior, contemplando uma análise de viés mais aprofundada, para solidificar o corpo de evidências. A condução de estudos comparativos diretos entre a WBVT e outras modalidades terapêuticas adjuvantes é igualmente fundamental para delimitar seu lugar ideal no espectro das intervenções complementares acessíveis.

Um aspecto adicional a ser ponderado é o custo considerável de certos modelos de plataformas vibratórias, o qual pode configurar uma barreira substancial à implementação e ao acesso a esta tecnologia em nações em desenvolvimento, a exemplo do Brasil. Tais vulnerabilidades socioeconômicas podem obstar a disseminação generalizada da WBVT, exigindo o desenvolvimento de estratégias para tornar a tecnologia mais acessível ou para otimizar sua aplicação em cenários com recursos escassos.

5. CONCLUSÃO

Em suma, a terapia com plataforma vibratória de corpo inteiro (WBVT) consolida-se como uma intervenção complementar notavelmente eficaz e segura para pacientes acometidos por Acidente Vascular Cerebral. As evidências disponíveis, em grande parte oriundas de revisões sistemáticas e meta-análises de alta qualidade, apontam que a WBVT, quando integrada à reabilitação convencional, desempenha um papel significativo na mitigação da espasticidade, na otimização do equilíbrio postural e no aprimoramento da função motora.

Portanto, reitera-se a imperatividade de futuras investigações para a padronização de protocolos terapêuticos, a elucidação dos efeitos a longo prazo e o robustecimento do tamanho amostral e do rigor metodológico. Contudo, e não obstante essas lacunas, as evidências correntes oferecem respaldo substancial para que os fisioterapeutas contemplem a incorporação da WBVT em sua prática clínica, como um componente integrante de um programa de reabilitação holístico.

REFERÊNCIAS

  • Alashram, A. R., et al. (2021). Vibration therapy role in neurological diseases rehabilitation. Journal of Clinical Neuroscience, 90, 203-210. DOI: 10.1016/j.jocn.2021.05.011

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral (AVC). 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 03 jan. 2026.

  • Guo, L. M., et al. (2022). Effect of whole-body vibration training on the recovery of balance and spasm in people with stroke. Chinese Journal of Rehabilitation Medicine, 37(11), 1332-1338. DOI: 10.3969/j.issn.1001-1242.2022.11.009.

  • Huang, M. H., et al. (2020). Effects of whole-body vibration on walking function in patients with chronic stroke: A systematic review and meta-analysis. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation, 17(1), 1-13. DOI: 10.1186/s12984-020-00693-5.

  • JALES, Davi Nogueira et al. Avanços no Diagnóstico e Tratamento do Acidente Vascular Cerebral na Urgência: Uma revisão da literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 12, p. 315-327, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n12p315-327.

  • Kim, J. S., et al. (2025). The Effects of Whole-Body Vibration on Spasticity in Stroke: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Medicine, 14(17), 5966. DOI: 10.3390/jcm14175966.

  • Liebermann, D. G., et al. (2016). Effects of whole-body vibration on muscle performance, balance, and proprioception in neurological populations: A systematic review. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 97(6), 1018-1033. DOI: 10.1016/j.apmr.2015.12.008.

  • Liu, S., et al. (2024). Effects of whole-body vibration training on physical function in patients with stroke: A systematic review and meta-analysis. Complementary Therapies in Medicine, 80, 103006. DOI: 10.1016/j.ctim.2024.103006.

  • MENDES, G. A. et al. Acidente Vascular Cerebral: diagnóstico e tratamento. São Paulo: Editora Médico, 2022.

  • Rogan, S., et al. (2018). Effects of Single or Multiple Sessions of Whole Body Vibration in Stroke: Is There Any Evidence to Support the Clinical Use in Rehabilitation?. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, 27(12), 3426-3435. DOI: 10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2018.08.016.

  • Rogan, S., et al. (2019). Long-Term Effects of Whole-Body Vibration on Human Gait. Current Osteoporosis Reports, 17(5), 374-385. DOI: 10.1007/s11914-019-00537-8.

  • SBAVC – SOCIEDADE BRASILEIRA DE AVC. Números do AVC. [S. l.], 2024. Disponível em: https://avc.org.br/numeros-do-avc/. Acesso em: 3 jan. 2026.

  • SBGG – SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. Idosos estão entre as principais vítimas de quedas, afirma SBGG. [S. l.], 8 abr. 2022. Disponível em: https://sbgg.org.br/idosos-estao-entre-as-principais-vitimas-de-quedas-afirma-sbgg/. Acesso em: 3 jan. 2026.

  • Zhao, J., et al. (2023). Efficacy and safety of whole-body vibration therapy for post-stroke spasticity: A systematic review and meta-analysis. Annals of Physical and Rehabilitation Medicine, 66(2), 101736. DOI: 10.1016/j.rehab.2023.101736.